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               O Evangelho e a Conciliação.

 

Em Oséias 4:6 o nosso Deus declara “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei...“. Já em Isaias  5:13 declara “Portanto o meu povo será levado cativo, por falta de entendimento; e os seus nobres terão fome, e a sua multidão se secará de sede”.

Não queremos a destruição nem o cativeiro, buscamos com todas as nossas forças, e entendimento viver a vontade de Deus que é boa e perfeita para nós.

A vida em sociedade e a busca de se viver a vontade de Deus, nos têm levado a situações de permanente conflito, os conflitos surgem no foro interno com uma luta no inconsciente e externamente nos relacionamentos com os irmãos e com o mundo, o que tem sido um difícil testemunho cristão equilibrado.

O Espírito Santo, na conversão de vidas, utiliza-se de duas ferramentas para seu êxito: a primeira é a palavra de Deus, um versículo que para nós crentes em cristo, nos parece tão “normal” para aquela pessoa, naquele instante e na forma em que lhe foi apresentada, provoca um verdadeiro terremoto interno, e a luz alcança onde antes eram trevas; a segunda, tão eficaz quanto a primeira, é o testemunho pessoal nos momentos de conflitos que nos angustiam.

“Se te mostrares fraco no dia da angústia, é que a tua força é pequena.” Pv 24:10.

O testemunho pessoal ocorre quando as pessoas nos olham e identificam a Luz de Cristo em nossas vidas e, elas querem isso, mas muitas vezes as situações de conflito tem dificultado essa observação em nós.

A busca de soluções de conflito é uma manifestação saudável da inteligência e, se corretamente esquadrinhada, pode ser o motor da resolução criativa dos problemas sociais.

Deus não extinguiu os conflitos, deu-nos inteligência e sabedoria para solucioná-los. Ele pede que tenhamos bom ânimo, “...no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” João 16:33.

Busquemos ajuda, muitas vezes especializadas e, juntos, os vençamos, assim, o conflito não é mais do que a inteligência a exercitar-se, a questionar informações, a conferir alternativas, a dar vazão às experiências com Deus e os irmãos.

Administrar eficazmente um conflito é, pois, utilizar a energia e criatividade dos grupos, resultantes da aplicação da inteligência coletiva na busca de solução a um dado problema.

Mas o conflito não é um terreno fácil e com certeza bastante árido. Na sua forma mais brutal, deteriora relacionamentos, cria um clima desagradável à busca solução aos problemas.

O conflito é erroneamente temido e, muitas vezes, confundido com “desordem social”, provocando prejuízos que, corretamente administrados podem ser minimizados e resolvidos, eliminando os riscos de um conflito mal compreendido e mal administrado.

   Conflitos existem, quer por necessidade de crescimento, quer por medo e insegurança, seja qual for o motivo, Paulo em sua primeira carta aos Coríntios nos instrui a não levar a demanda para ser julgada por ímpios. “Então, se tiverdes negócios em juízo, pertencentes a esta vida, pondes para julgá-los os que são de menos estima na igreja? Para vos envergonhar o digo. Não há, pois, entre vós sábios, nem mesmo um, que possa julgar entre seus irmãos?” ICo 6:4 e 5

Ele nos instiga a procurarmos, entre nós, pessoas para julgar as demandas entre irmãos.

“Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão” Mt 5:25.

Como fazer isso? Como resolver com amparo legal? Qual a solução? O livro de Provérbios orienta: “na multidão de conselhos há segurança sabedoria. “Não havendo sábios conselhos, o povo cai, mas na multidão de conselhos há segurança”. Pv 11:14

Ainda relativamente nova, a lei nº 9.307, de 23 de setembro de 1996, “Lei de Arbitragem”, oferece uma tutela jurídica a uma antiga prática, a conciliação.

Amparada pela Lei, as partes conflitantes são autônomas em suas decisões. Isso, sem dúvida é o primeiro ponto que, debaixo da vontade de Deus, as demandas entre irmãos passam a ser solucionadas.

Um conflito tem o potencial de fazer crescer as pessoas, de ensinar, de nos fazer progredir.  Mas isso só ocorre se optarmos pela via da conciliação. Podemos solucionar um conflito e resolvê-lo com amor.

Quando optamos pela conciliação, nós escutamos, buscamos  esclarecimentos, descobrimos soluções novas para problemas velhos, unimos, crescemos.

Buscando explorar as diversidades de leituras, o conciliador proporciona as partes, uma nova visão do problema, o oponente deixa de ser um adversário a ser vencido e se transforma em um ajudador, um aliado, na busca e construção da solução do problema.

O conciliador proporciona às partes a leitura da real dimensão do problema, livre de emoções e paixões e une as partes, superando e reduzindo o valor do conflito ao real valor.

As técnicas de conciliação são variadas, mas todas elas estão submissas aos limites da lei, da moral e dos bons costumes, e no nosso caso, na ética cristã.

A conciliação é hoje um meio eficaz e uma realidade e, existe nos mais variados seguimentos da sociedade. Para as inevitáveis questões entre os irmãos, ela é uma ferramenta impar no aperfeiçoamento do bom testemunho.

Existindo na forma de prévia clausula compromissória contratual ou em busca de um posterior compromisso arbitral, seja como for, a aceitação das partes é indubitavelmente um meio eficaz de solução de conflitos e uma cristalina demonstração cristã de entendimento, e o conhecimento dessa via de negociação nos torna mais aptos a sermos usados pelo Espírito Santo.

 

 

Paulo Queiroz Neto, membro da Igreja Batista Memorial de São Paulo e juiz arbitral

 

 

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